Inesperadamente e sem esperar a garrafa de Quinta da Pacheca Lagar nº 1 (Reserva 2014) foi colocada sobre a mesa. Nesse momento eu já sabia, aliás todos na mesa já sabíamos, que não ia sobrar uma gota. Acredito que se aquele vinho tivesse consciência ele também sabia que ia ser bebido até ao fim. Antes, de partilhar convosco a minha opinião é importante fazer o devido enquadramento.
No rótulo não encontramos informação sobre o vinho (o que para mim é sempre algo que faz falta) pelo que uma visita ao site www.quintadapacheca.com é sempre útil. Segundo a fonte oficial e passo a citar “Pacheca Lagar no 1 Reserva 2014 é um vinho obtido a partir de uvas das castas Touriga Franca e Touriga Nacional oriundas da Quinta da Pacheca e de vinhas de Vila Nova de Foz-Côa com cerca de 40 anos de idade”. Não vou entrar em detalhes técnicos que o nosso leitor pode facilmente apreender da página.
Mas, para os menos entendidos Touriga Nacional e Touriga Franca são duas das castas que mais frequentemente encontramos nos vinhos do Douro. Com estas castas é de esperar aromas a frutos vermelhos (ou silvestres), a fruta madura, os aromas florais, violeta…e intensidade q.b. O que o rótulo também não diz e que é de fácil adivinhação é o estágio em barricas de carvalho francês. No momento de beber não sabia, mas uma vez mais a página não deixa mentir – 18 meses de estágio. Importa referir que este é vinho que resulta da pisa da uva em lagar de granito (no nº 1 – estou a presumir), o que incute ao vinho uma certa reverência, tradição e complexidade.
No nariz facilmente encontramos os aromas a fruta madura, a promessa da fruta preta é cumprida, com a intensa adição de tons amadeirados, algo adocicados e omnipresentes (não sei se consegui chegar ao chocolate que a marca anuncia…). Para mim, talvez fosse mais baunilha, caramelo ou até tabaco. Chega de introduções, vamos ao que interessa.
Na prova, o Quinta da Pacheca Lagar Nº 1 (Reserva 2014) é imponente, reverente e presente. A complexidade de aromas amadeirados com recheio de fruta é marcante. Os caninos são equilibrados e o sabor persistente.
Diria que a minha prova teria beneficiado de menos um ou dois graus (mas em casa da amigos, não vais exigir que o vinho vá para o frigorífico 10 minutos) para sentir uma certa frescura e um toque de acidez que tornaria este vinho não só imponente, mas entusiasmante. Se é um vinho para todos os gostos? Não. Os 18 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês retiram alguma frescura a este vinho que pode não agradar a um consumidor que procura algo mais fresco, mais leve, elegante e sofisticado.
Por outro lado, assumo que é claramente um vinho cujo sabor, aromas e presença será difícil esquecer, o que faz do Quinta da Pacheca Lagar nº1 (Reserva 2014) um vinho de grandes ocasiões (ou de momentos de degustação com amigos ou família num dia mais frio) que seria bem acompanhado por queijos e iguarias de tons mais intensos e condimentados.
A revisitar.
A minha nota: 90
Paulo
Fotografias: Pessoal | http://www.quintadapacheca.com

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