Caminhar pela Serra de Valongo, até às febras da Senhora do Salto

À procura da melhor palavra que exprima o que sinto hoje nas minhas pernas e pés, fui ver no dicionário se a palavra “moinha” realmente existe. E lá por entre tantas definições aparece a que esperava encontrar – “dor fraca, mas persistente”. É isso que sinto depois de ter dado 3 voltas, a pé, à Serra de Valongo, pelo menos a mim, foi a sensação que deu.

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Os bravos madrugam, mas não foi o caso… 10h00 pareceu-nos ser uma boa hora para pôr as sapatilhas ao caminho. Sabemos que o início e o fim é na aldeia de Couce, o resto é surpresa. Quando começamos já há gente a fazer o mesmo, alguns com nítido profissionalismo na arte de desbravar serras a correr, outros com ar de quem só vai passear com os amigos, enquanto aproveita para desentorpecer as pernas, num belo dia de feriado. Identifico-me mais com o segundo do que com o primeiro grupo, mas com plena consciência que íamos fazer mais do que desentorpecer as pernas.

O céu azul, o sol quentinho, e o som do rio a correr animaram e deram o primeiro empurrãozinho para a frente. A calmaria das rãs que habitam um lago no meio da serra e o avistamento de uma antiga mina romana de Valongo adensam a vontade de continuar.

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Caminhar na Serra, seja ela qual for, implica subir… e descer… tantas vezes quantas as necessárias para chegar ao destino. A meio não se fica, isso é certo. As inclinações são estupidamente inclinadas, muito à conta dos corta-fogos feitos durante o período de incêndios. Conseguimos contornar algumas, outras não deu para evitar o quase desfalecimento. As flores coloridas acompanharam quase todo o caminho e ajudaram a manter o foco no que era realmente essencial, chegar ao prémio de consolação.

Quase 4 horas e 12 kms depois, ouvi as palavras mágicas “É ali! Já vejo daqui!”. Graças aos santinhos, já se vê a Senhora do Salto e o sítio onde vamos abocanhar as tão badaladas febras com queijo e ovo! Há lá prémio melhor?! O espaço é simples, faz lembrar os cafés da aldeia, com uma enorme figueira a fazer sombra às mesas da esplanada. Quando chegarmos ao Verão, algumas cabeças vão ser presenteadas com os doces frutos caídos diretamente do céu. Claramente, é local de romaria de caminhantes, corredores, motards e curiosos. Está cheio e, se calhar por isso, uma hora depois de serem pedidas ainda não foram servidas… Provavelmente já não vamos à segunda dose, porque temos que regressar pelo mesmo caminho. A simpatia essa não abundou e não convida a repetições. Diz, quem conhece, que não é normal e que tivemos azar. Se calhar fazemos a prova dos nove um dia destes. Fizemo-nos ao caminho de regresso ainda mal o ultimo pedacinho de pão com febra tinha chegado ao estômago.

De mim, para mim, no meu momento de reflexão interior, pedi forças para fazer mais 4 horas a caminhar pelo meio da serra. Curiosamente, alguém ouviu, porque cortámos caminho e foram só 2 horas!Seja como for, continuarei a pedir coisas ao além, porque quando menos se espera, funciona.

Distância: +/- 19 kms           Tempo: 6 horas            Dificuldade: difícil

 

Num momento de reflexão com o meu próprio corpo, tento convencê-lo que, um dia destes, o Caminho será menos acidentado e menos exigente! Ele está reticente, não apresenta a confiança que eu gostava de lhe sentir. Há que ver o lado positivo – até ao momento, pés torcidos: zero!

Sara

Fotografias: próprias.

 

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