Fevereiro, apesar de curto, cá em casa é mês de celebrações! Os astros alinharam-se e concentraram os dias especiais no mesmo mês, não fosse termos dificuldade ou pouco fôlego para distribuir os festejos ao longo do ano. Para comemorar, como de costume a escolha recai (quase) sempre em programa à volta da mesa.
O amor conquista-se pelo estômago, no nosso caso, engorda-se à mesa. Assim sendo, uma breve pesquisa online levou-nos até aquele que,será, provavelmente o melhor restaurante que experimentámos este ano – o Restaurante Coreto. É certo que o ano ainda agora começou, felizmente que outras expectativas se excederão e estamos prontos para ser surpreendidos noutros espaços, mas não podemos deixar de elevar quem merece. O Coreto não é só bonito, não tem só carne muito boa, não tem só um atendimento excelente, mas vamos por partes.

Quando ao longe se avista o Coreto envidraçado, todo iluminado, por entre as árvores do Parque da Boavista, na Maia, os olhos comunicam com o cérebro que comunica com o coração que fica com aquela sensação de quentinho de quem vai gostar do que vai acontecer a seguir. Salta à vista a esplanada vazia de Inverno, que quando a chuva resolver abandonar os nossos dias e o sol se permita instalar com vigor e convicção, há-de ser usada e abusada para fins de tarde e pores-do-sol acompanhados por uma bebida refrescante.
Uma vez dentro do Coreto, é inegável o bom-gosto da decoração, a elegância do espaço e, não menos importante, a quietude do ambiente. A estrutura de vidro a toda a volta permite uma vista é surpreendente para um cenário onde predomina o verde. Não se pense que por ser de vidro é mais frio, na verdade é climatizado na medida certa, sem exageros.
Quem ali trabalha incorporou a elegância do espaço, que parecendo que não é meio caminho andado para o sucesso.
Indo ao que interessa, o repasto.
Se quando nos sentámos o coração já estava quentinho, quando começámos a comer, ferveu de contentamento. Nada aqui é casual, nada é mais ou menos ou mais do mesmo.
O pão e a manteiga são caseiros, a gema vem com flor de sal e óleo de trufa (será? pareceu-nos.). Seguem-se os ovos rotos, porque é dia especial e que se dane os fritos. Batatas fritas, ovo e presunto não tem como falhar, não há muito a dizer, um regalo para o estômago.

Devidamente acondicionados, seguimos para a famosa carne maturada. Como dizer? À chegada à mesa, a imagem impressiona e os olhos já estão a comer, as pedras soltas de sal ainda não entraram na boca e já estamos a engolir em seco, o sabor é original e sem artifícios, a carne é servida no ponto certo e desfaz-se na boca.

É por estas e por outras, que o vegetarianismo dificilmente nos há-de bater à porta. Festejo que se preze tem que ter sobremesa! Não havendo leite-creme na lista, (se calhar uma falha a corrigir!) vai a segunda melhor sobremesa que existe, crumble de maçã e pêra, quentinho, em quantidade abundante (não é uma queixa, é mais um amém!).
A carta de vinhos acompanha a qualidade do espaço e não deixa os créditos por mãos alheias. Claro que aqui o cabeça fala mais que o coração, porque todos sabemos quão fácil é perder a cabeça por um bom vinho, que depois vai contrastar com o upa upa da continha final.
O Porta de Santa Catarina Colheita Selecionada, com 6 meses de estágio em carvalho francês, revelou-se uma opção equilibrada com tanino e frescura q.b., capaz de acompanhar bem o prato de carne. Não era a opção inicial, mas o nosso bom gosto foi defraudado por uma breve escassez de stock.
Só depois de ali estarmos é que percebemos que no dia anterior tinha acontecido ali um jantar vínico em parceria com o enólogo Márcio Lopes que apreciamos bastante, revelação para uns, para outros nem tanto. Que azar! Uma pena não termos sabido antes porque teríamos antecipado a visita. Entretanto, pelo que percebemos outros jantares vínicos se seguirão e, lá terá que ser, havemos de marcar presença!
O Coreto é um restaurante que vai agradar a casais, a grupos de amigos e famílias, no qual a intimidade, a conversa e bem-estar são ingredientes que farão sempre parte da ementa. É para os apreciadores de carne, sim, mas para aqueles que tanto podem querer partilhar uma posta a dois, ou um T-Bone a 4. Os preços, bem, são o que são, justos e merecidos, pois toda a experiência é de inegável qualidade. O que pode melhorar? Sinceramente, um dia de sol, e a nossa presença, claro.
“O amor engorda-se à mesa” pode muito bem ser o mais recente provérbio da geração millenials. Se pegar, tem direitos de autor. Ide lá engordar também e não digam que vão daqui!
Sara
Fotos: tudoincluido.co

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