“Comprar viagens na Internet é mais barato!” Será?

Desde os anos 90 que faço reservas de viagens em plataformas online e em agências de viagens tradicionais. Não só para mim, mas para todos os viajantes que confiaram em mim para lhes marcar férias, fins de semana, escapadas ou viagens de negócios.

Não faço campanha por nenhum dos métodos de reserva em particular, utilizo os dois consoante a necessidade e a oportunidade.

Em algum momento do planeamento das férias, já nos deparámos com os preços mais apelativos do Edreams, por exemplo. E acontece que compramos por ali e ficamos mesmo satisfeitos porque conseguimos poupar imenso dinheiro!

É mentira! Reservámos sim, é verdade, mas não foi por menos dinheiro. As Online Travel Agencies (vamos chamá-las de OTAs) que vendem um produto de terceiros, dificilmente conseguem fazer o mesmo preço do que comprando diretamente ao prestador do serviço, muito menos um preço mais baixo.

Se recebesse um euro por cada vez que ouvi “vi na internet e lá é mais barato”, por esta altura não contava os tostões para ir de férias!

Será que a TAP, por exemplo, vende uma viagem  diretamente ao cliente por 100 euros e uma OTA (ex. o edreams) consegue vender a mesma viagem por um valor mais baixo??

Nas viagens, como na vida, sigo a máxima “se é bom demais para ser verdade, então é porque não é!” A diferença do valor e mais um pouco, paga-se, isso é inquestionável, a diferença é saber em que momento da compra. 

O que acontece é que as OTAs, inevitavelmente, faturam a diferença durante o processo da reserva… ou mais tarde. No caso da imagem abaixo, uma margem aparece quando se inserem os dados do cartão de crédito (apesar de mencionarem que é gratuito). Pode vir sob a forma de despesas de reserva , de outras taxas ou aparecer mesmo uma fatura à parte com um valor extra, sem ter sido identificado. Reclamações sobre este modus operandi multiplicam-se online e quem continua a aderir a estes canais de venda, às vezes sem perceber, está a, além de perder dinheiro, a incentivar a que este ilusionismo de preços não tenha fim.

Evolução de preços quando compramos um voo através de uma agência online

Legenda imagem 1: evolução dos preços quando se faz a compra de um voo numa online travel agency, que inclui:

1- Preço relativo à compra de um voo antes de escolher o método de pagamento;

2- Informação das taxas de cada forma de pagamento. Visa é gratuito;

3- Actualização do valor do voo, depois de inserir os dados de cartão de crédito visa.

Quanto a valores concretos das taxas e da sua cobrança, depois de ler os termos e condições gerais, de fio a pavio, de algumas OTAs, não consegui perceber qual a política de cobranças da taxa administrativa. Numa reserva, até chegar ao momento de inserir a forma de pagamento, os valores não são discriminados. Concordo que têm que ser cobradas margens, porque ninguém trabalha de graça, mas sou pela transparência.  Por norma, não aceito bem que façam ilusionismo com a minha carteira, porque vá-se lá saber porquê, a magia raramente me beneficia.

E se precisar de fazer um cancelamento, pedir um reembolso ou pedir uma alteração? Isso já é outro assunto e dá pano para mangas. Ainda está para nascer quem, com uma viagem “comprada na internet, que é mais barato” (numa OTA, entenda-se), o conseguiu fazer sem ganhar uma úlcera nervosa. Em tempos de pandemia, piorou. Este assunto fica para breve.

Sim, já reservei com o Edreams, a Opodo, entre outros e escrevo por experiência própria.

Sara (consumidora de viagens online e de agências de viagens, ex agente de viagens  e a trabalhar há muito tempo na indústria do turismo) 

fotografia: pexels (Foto de Torsten Dettlaff no Pexels); imagem 1: própria (alías, nota-se!)

 

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